Rejeitado até na igreja, homem tem corpo velado em praça pública
Quando começou a sentir dores, há cerca de quatro meses, teve a ajuda dos vizinhos que iniciaram uma peregrinação pela rede pública. Desconfiavam que era um problema na próstata.“Sempre que íamos ao Hospital de Emergência aplicavam remédios pra dor, mas nunca faziam os exames nele porque diziam que não tinha como fazer.
Não tinha equipamentos”, conta o amigo e vizinho Josias Souza, que é funcionário público.
Depois dos dois primeiros meses, seu Aurélio conseguiu fazer alguns exames no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL). A suspeita era de um problema renal, e seria necessária uma cirurgia, segundo os amigos.
“Os exames não deram em nada, só que os médicos achavam que era problema renal.
Seu Aurélio morreu na manhã de terça-feira, esquecido pelo poder público, mas não pelos amigos. Ele estava internado no Hospital de Santana à espera da cirurgia. Um médico informou que foi infecção generalizada.
Depois de tanto sofrimento, uma última humilhação ainda estava por vir: os amigos foram até a paróquia de Santa Terezinha, no Marabaixo I, pedir ao padre que o velório fosse realizado no patio do local.
Os amigos não tiveram outra escolha se não levar o corpo para a praça do bairro, o local mais aberto que poderiam arrumar e onde ninguém se oporia. Foi a última situação de constrangimento na sofrida jornada de seu Aurélio.Sofrido na vida e depois dela, o velhinho que capinava quintais finalmente descansa no Cemitério São Francisco de Assis, na BR-210.




























































