PT não quer votação de PEC que reduz maioridade penal
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, é contra que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vote nos próximos dias a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A informação foi confirmada a O Antagonista na terça-feira, 19, pelo deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA), membro titular da CCJ.
A PEC chegou a constar na pauta da reunião de terça-feira, 19, do colegiado, mas, na ocasião, após o relator – deputado Coronel Assis (PL-MT) – fazer a leitura do seu parecer favorável ao texto, a votação foi adiada, devido ao início da ordem do dia do plenário, que impede outras votações na Câmara.
A expectativa agora é que a CCJ volte a discutir a PEC no dia 3 de junho. A proposta prevê que, após 16 anos, qualquer pessoa responde criminalmente por seus atos, podendo cumprir pena no sistema prisional comum. Hoje, jovens que cometem infrações graves cumprem medidas socioeducativas de internação por, no máximo, três anos.
Há outras duas PECs apensadas (anexadas) a essa, de 2015. São elas a da deputada Júlia Zanatta (PL-SC) que também reduz a maioridade penal para 16 anos e cria hipótese de responsabilização de menores de 16; e uma do deputado Capitão Alden (PL-BA), também apresentada na semana passada, que prevê a redução da maioridade somente em determinados casos, como crimes hediondos ou crueldade extrema, após avaliação técnica do jovem.
Coronel Assis defendeu a aprovação dessas outras duas propostas também. A CCJ analisa apenas a admissibilidade de uma PEC, ou seja, se ela não viola as cláusulas pétreas da Constituição. O mérito é analisado por uma comissão especial, para onde a PEC segue se for aprovada pela CCJ. O texto só vai ao plenário se for aprovado pelos dois colegiados. No plenário, precisa de pelo menos 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovado.
A bancada do PT já havia se manifestado contra a redução da maioridade penal em fevereiro, quando o relator da chamada PEC da Segurança Pública, deputado Mendonça Filho (PL-PE), havia defendido incluir neste texto a previsão de que, em 2028, seria realizado um referendo popular referente à redução da maioridade a 16 anos para criminosos envolvidos com crime organizado e crime violento.
Em nota divulgada em 11 de fevereiro, a bancada petista disse que reduzir a maioridade penal para todos os crimes é uma proposta “politicamente retrógrada” e que incorre em teratologia jurídica – pois “os direitos fundamentais de crianças e adolescentes integram o núcleo intangível da Constituição Federal e, portanto, não são passíveis de deliberação por maiorias eventuais”.
Ainda de acordo com o PT, “a redução da maioridade penal tampouco enfrenta a violência”. “As experiências internacionais demonstram que o encarceramento precoce aumenta a reincidência, fortalece organizações criminosas e aprofunda trajetórias de exclusão”, acrescentava a nota.
Após pressão do governo e pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Mendonça Filho retirou do substitutivo a previsão do referendo popular.
Durantes as negociações para que o relator retirasse esse ponto, porém, Motta se comprometeu a criar uma comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição de 2015 específica sobre a redução da maioridade e acertou que Mendonça Filho será o relator no colegiado, e Aluisio Mendes (Republicanos-MA), o presidente.
Entretanto, com o PT sendo contra a votação da PEC na CCJ, pode-se esperar que deputados do partido utilizarão de diferentes instrumentos para, pelo menos, adiar a votação, como pedido de retirada de pauta e apresentação de questões de ordem.
Deputada do Psol criticou PEC
A deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) afirmou na terça-feira, 20, que a PEC da redução da maioridade penal representa uma tentativa de “amedrontar a população” com uma “falsa solução” para a violência.
“A ideia de que reduzir a maioridade penal vai gerar segurança para as famílias é falsa”, afirmou a parlamentar. “Não adianta apresentar uma falsa solução mexendo com o medo das pessoas e com a necessidade real de segurança”.
Talíria também disse que o enfrentamento às organizações criminosas não passa pela “criminalização de adolescentes”.
A federação PT-PCdoB-PV tem 10 dos 64 membros titulares da CCJ, e a federação Psol-Rede, dois – Marina Silva (Rede-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP).
*O antagonista



