O que é a Febre do Nilo Ocidental? Doença matou mulher em SC

Mosquito | Reprodução Pixabay
As secretarias estaduais de Saúde de Santa Catarina e São Paulo confirmaram, na segunda-feira (24), dois casos de Febre do Nilo Ocidental em cada estado. Entre os registros está a primeira morte pela doença em Santa Catarina: uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, no Litoral Sul, que morreu em 8 de agosto. A Secretaria de Saúde considera o caso uma ocorrência isolada. Ao SBT News, o Ministério da Saúde informou que há ainda um caso provável da doença no Piauí.
Em São Paulo, os dois registros são os primeiros casos humanos da doença no estado. Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, teve a infecção e já se recuperou. Ela tinha histórico recente de viagem à região amazônica.
O segundo caso paulista é de uma adolescente de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. O local provável de infecção das duas pacientes ainda está sob investigação epidemiológica. Os casos foram confirmados por exames laboratoriais do Instituto Adolfo Lutz. O outro caso catarinense é de um paciente de 56 anos, que já se recuperou.
Entenda o que é a Febre do Nilo Ocidental
A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma infecção causada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos. Segundo o Ministério da Saúde, ele faz parte do grupo dos arbovírus, nome dado aos vírus transmitidos por animais como mosquitos e outros artrópodes. Dengue, Zika, chikungunya e febre amarela também pertencem a esse grupo.
A doença pode passar despercebida, já que muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas. Quando eles aparecem, os quadros podem variar de uma febre passageira a formas mais graves, que atingem o sistema nervoso.
Como a Febre do Nilo Ocidental é transmitida?
A principal forma de transmissão é pela picada de mosquitos infectados, principalmente os do gênero Culex, conhecidos como pernilongos. As aves silvestres têm um papel importante nesse processo.
O ciclo funciona assim: uma ave infectada carrega o vírus. Um mosquito pica essa ave e pode se infectar. Depois, se esse mosquito infectado picar uma pessoa, pode transmitir o vírus.
Cavalos, primatas não-humanos e outros mamíferos também podem ser infectados. No caso das pessoas e dos cavalos, porém, o vírus fica no organismo por pouco tempo e em quantidade insuficiente para infectar novos mosquitos. Ou seja, eles podem contrair a doença, mas não mantêm esse ciclo de transmissão.
O Ministério da Saúde informa ainda que existem registros de formas mais raras de transmissão, como transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão da gestante para o bebê durante a gravidez.
Quais são os sintomas?
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% desenvolvem sinais da doença, geralmente leves.
Entre os principais estão:
- febre que começa de forma repentina;
- mal-estar;
- falta de apetite;
- náuseas;
- vômitos;
- dor nos olhos;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios, conhecidos popularmente como ínguas.
Quando a doença pode ser grave?
Os casos graves são menos frequentes. De acordo com o MS, uma em cada 150 pessoas infectadas desenvolve uma forma neurológica grave, ou seja, quando a doença atinge o sistema nervoso.
Entre as possíveis complicações estão meningite e encefalite. A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula, enquanto a encefalite é uma inflamação do cérebro e a manifestação neurológica mais comum da doença.
Outra possível complicação é a paralisia flácida aguda, que provoca perda repentina da força muscular.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito a partir da avaliação médica e de exames laboratoriais. O teste mais comum procura anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus, que ajudam a identificar a infecção. Outros exames também podem ser usados para confirmar a doença.
A avaliação médica também é importante porque os sintomas podem ser parecidos com os de outras doenças.
Existe vacina ou tratamento?
Não existe vacina recomendada no Brasil nem tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é voltado para os sintomas e para os cuidados necessários de acordo com a situação de cada paciente.
Nos casos mais graves, principalmente quando a doença atinge o sistema nervoso, pode ser necessária internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O paciente pode precisar de reposição de líquidos pela veia, suporte para respirar e outros cuidados para reduzir o risco de complicações.
Como se prevenir da Febre do Nilo Ocidental?
Como a principal forma de transmissão é pela picada de mosquitos, os cuidados se concentram em evitar as picadas e reduzir os locais onde esses insetos podem se reproduzir.
As principais orientações são:
- usar repelente;
- evitar maior exposição aos mosquitos, principalmente ao amanhecer e ao entardecer;
- instalar telas em portas e janelas;
- evitar água parada e locais sem saneamento básico;
- eliminar recipientes que possam acumular água, com atenção especial aos pneus;
- não jogar lixo em valas, valetas e margens de córregos, rios e riachos;
- evitar, sempre que possível, tocar ou manusear animais encontrados mortos.
Pessoas que trabalham ao ar livre podem ter maior exposição aos mosquitos. O Ministério da Saúde cita, entre outros profissionais, veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, agricultores, jardineiros e trabalhadores da construção civil.


