Editorial: O Teatro das Cadeiras em Cerro Corá: Mudança Real ou Apenas um Novo Cenário?

Há décadas, a política de Cerro Corá parece seguir um roteiro ensaiado. O pano de fundo muda, o nome do prefeito no cartaz se alterna, mas quando as cortinas se abrem, o elenco é o mesmo. Vivemos sob o domínio de oligarquias que, embora prometam renovação a cada ciclo, mantêm em seus quadros os “secretários eternos” — figuras que transitam entre gestões como se a administração pública fosse um patrimônio hereditário.

O grande erro desses grupos não é apenas a falta de novos nomes, mas a surdez política. O gestor, cercado por um círculo restrito de conselheiros e aliados de longa data, acaba se isolando em uma bolha de privilégios. Ouve-se muito o que diz o “grupo próximo” e quase nada do que grita o clamor das ruas. As demandas por saúde eficiente, infraestrutura e oportunidades reais acabam sufocadas por acordos de gabinete que visam apenas a manutenção do poder.

A cada eleição, o discurso da “mudança” é pregado nos palanques. Contudo, na prática, o que vemos é uma reciclagem de rostos e práticas. É o velho fantasiado de novo.

Mas o tempo é o senhor da razão. O ano de 2028 surge no horizonte não apenas como mais um pleito, mas como a oportunidade definitiva para a população de Cerro Corá rever esse sistema. Será o momento de decidir se continuaremos sendo figurantes nessa peça escrita por poucos, ou se finalmente assumiremos o papel de protagonistas, exigindo uma gestão que priorize o povo e não a perpetuação de um grupo no comando.

A mudança não virá de quem já está acomodado na cadeira; ela nasce da coragem de quem vota.


Postado em 12 de abril de 2026