Editorial: O miope olhar da gestão pública para a imprensa digital local

A valorização do trabalhador da terra deveria ser a regra número um de qualquer administração pública, mas na prática o cenário é bem diferente. Hoje vemos um fenômeno preocupante na nossa região: o desprezo sistemático dos gestores públicos em relação aos veículos de comunicação e jornalistas digitais locais. Prefere-se, num ato de pura vaidade e miopia política, abrir as portas do orçamento e das exclusivas para profissionais e portais de fora.
O papel da imprensa local vai muito além de informar. Ela vive o dia a dia da comunidade, conhece as carências dos bairros, dá voz ao cidadão comum e movimenta a economia do município. Quando um prefeito ou secretário ignora o comunicador que está no sol, cobrindo os eventos da cidade e cobrando melhorias reais, ele não está apenas silenciando um profissional. Ele está desrespeitando a própria população que consome aquela informação e se vê representada ali.
Chamar “gente de fora” para cobrir festas grandiosas ou anunciar obras serve apenas para criar uma cortina de fumaça maquiada, distante da realidade do povo. O profissional de fora vem, recebe o seu quinhão, faz o elogio encomendado e vai embora. Ele não anda nas ruas esburacadas no dia seguinte e não ouve o clamor da dona de casa que falta medicamentos no posto de saúde.
Diante dessa postura negligente, fica no ar a pergunta crucial que ecoará nas urnas: será que os de fora vêm votar nas futuras eleições?
O voto que elege e que julga uma administração pertence ao cidadão que lê o blog local, que acompanha a página da sua cidade e que confia no comunicador da sua terra. O distanciamento da gestão com a base comunicativa local cobra um preço caro. Quem desdenha de quem constrói a história do município no cotidiano não deve se surpreender quando o isolamento se transformar em derrota política no futuro. Respeitar a imprensa local é, antes de tudo, respeitar o eleitor.



