Batalha de rejeição entre Flávio Bolsonaro e Lula tem potencial para voltar a decidir eleição

A última pesquisa presidencial da Genial/Quaest confirma a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal nome da direita em oposição ao projeto de reeleição de Lula (PT) nas eleições de outubro. Dois meses após ser escolhido por Jair Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente da República se tornou o nome mais competitivo para vencer o petista nos cenários estimulados de intenção de voto.

Há outro índice determinante nesta conta: Flávio Bolsonaro também polariza com Lula na disputa pela menor rejeição junto ao eleitorado brasileiro: o candidato do PL é rejeitado por 55% dos entrevistados, enquanto Lula tem 54% de rejeição entre os eleitores, conforme a percepção popular de fevereiro, também segundo a Quaest.

Na avaliação de especialistas em sondagens eleitorais ouvidos pela Gazeta do Povo, o indicador é considerado fator decisivo para a vitória presidencial nas urnas, principalmente nos cenários de polarização, que são ainda mais acentuados no segundo turno.

A calcificação do eleitorado lulista e dos apoiadores da família Bolsonaro apresenta pouca margem para uma “terceira via”, conforme os dados do levantamento. Nenhum dos pré-candidatos que se apresentam como uma alternativa alcança 10% de intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula oscila na liderança, entre 35% e 39% em sete cenários, seguido por Flávio, que tem de 29% a 33% da preferência do eleitorado, conforme a percepção de momento, a oito meses do voto nas urnas.

Este levantamento de fevereiro foi o primeiro da Quaest após a ida do governador goiano Ronaldo Caiado ao PSD, sigla que conta com os chefes do Executivo paranaense (Ratinho Junior) e gaúcho (Eduardo Leite), formando um trio de presidenciáveis. A jogada do cacique Gilberto Kassab, no entanto, não parece ter tido efeito por enquanto, ainda conforme percepção da pesquisa eleitoral, condição que pode representar a consolidação do mesmo cenário das eleições de 2018 e de 2022.

Pela primeira vez, o instituto de pesquisa deixou de fora o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) dos cenários estimulados. Ele manifestou apoio à pré-candidatura de Flávio e deve concorrer à reeleição em São Paulo.

Na análise dos números, o efeito colateral imediato é o índice de rejeição, que será decisivo em um eventual segundo turno. No cenário estimulado para a disputa decisiva, Lula venceria Flávio por 43% a 38%, de acordo com a pesquisa divulgada neste mês — a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A distância vem diminuindo: em dezembro, a vantagem de Lula era de 10 pontos percentuais: 46% contra 36% de intenção de voto para Flávio no segundo turno.

Pesquisa aponta queda na rejeição e potencial de voto na “direita não bolsonarista”

Na avaliação do diretor de Inteligência em Opinião e Política da Quaest, Guilherme Russo, a pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro se tornou mais conhecido entre os brasileiros nos últimos meses, após ser escolhido pelo pai como pré-candidato à Presidência pelo PL. Segundo os dados, o percentual de entrevistados que afirmam conhecer e que votariam em Flávio subiu de 28% para 36%, enquanto a rejeição recuou de 60% para 55%, no comparativo entre os levantamentos de dezembro e fevereiro.

Além disso, 12% diziam não conhecê-lo no final do ano passado, sendo que o desconhecimento caiu para 9% neste mês. “Isso mostra como a direita é competitiva, especialmente pensando em um segundo turno. Se a eleição for polarizada entre dois campos, tende a ser decidida mais pela rejeição do que pela capacidade de conquistar a maioria do eleitorado”, ressalta o diretor da Quaest.

No grupo classificado pelo instituto de pesquisa como “direita não bolsonarista”, Flávio possui o maior potencial de voto, com 72%, e um dos menores índices de rejeição, de 22%, atrás apenas de Renan Santos (Missão). Segundo Russo, existe a possibilidade de crescimento de Flávio dentro do espectro político ainda para a disputa de primeiro turno, além da migração de votos dos eleitores mais identificados com a direita no segundo turno.

“Ele [Flávio] ainda tem espaço para crescer entre a direita e o bolsonarismo. À medida que se torna mais conhecido, é natural que cresça a rejeição, mas também o potencial de voto”, completa o analista.

A via de mão dupla por carregar o sobrenome Bolsonaro também se evidencia pela repercussão do anúncio da pré-candidatura de Flávio, após ser escolhido pelo ex-presidente. Segundo o diretor da Quaest, 61% dos brasileiros tiveram conhecimento da notícia, o que é comparado a fatos de grande relevância como o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil. 

“Não é comum pesquisas registrarem esse nível de conhecimento espontâneo de uma notícia. Isso mostra como o movimento foi rapidamente absorvido. O sobrenome dá um atalho muito rápido para o conhecimento, mas também traz a rejeição junto. Isso já fazia parte do cálculo político”, comenta Russo.

Postado em 19 de fevereiro de 2026