Tarifa de 25% dos EUA pode atingir cerca de 27% das exportações brasileiras

President Donald J. Trump delivers remarks on the economy at Rockland Community College in Suffern, New York on Friday, May 22, 2026.(Official White House Photo by Joyce N. Boghosian)

Foto: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian

A tarifa de 25% proposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir 26,9% das exportações do Brasil ao mercado americano, segundo cálculo do economista Sérgio Vale divulgado pela Folha de S.Paulo. A estimativa aponta que os principais impactos devem recair sobre produtos industrializados, especialmente máquinas e equipamentos, madeira e manufaturados, além de produtos elétricos.

De acordo com o levantamento do economista da MB Associados, o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões em máquinas e equipamentos para os Estados Unidos no ano passado. No caso de madeira e manufaturados, as vendas somaram US$ 1,24 bilhão em 2025. Já os produtos elétricos, como transformadores, movimentaram cerca de US$ 920 milhões. “Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos impactados são máquinas e equipamentos”, afirmou o economista à Folha.

A proposta de nova tarifa foi apresentada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O órgão recomendou a aplicação da sobretaxa como resposta a práticas brasileiras consideradas injustas pelo governo americano.

Apesar da proposta, a decisão final sobre a aplicação ou não da tarifa caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes disso, o USTR abrirá uma consulta para que o setor privado se manifeste sobre os resultados da investigação. O relatório definitivo deverá ser publicado até 15 de julho.

Segundo a MB Associados, a lista de produtos isentos representa US$ 21,2 bilhões, ou 56,3% do total de US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado. Entre os itens excluídos da nova tarifa estão produtos considerados estratégicos para a economia americana ou com oferta doméstica insuficiente.

A lista de exceções inclui alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. A indústria aeronáutica também ficou fora da taxação adicional proposta.

Outros 16,8% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sendo analisados em outra frente da legislação americana, a Seção 232. Nesse grupo estão produtos como aço, veículos, autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre. Esses itens não foram incluídos na lista de isenção, mas também não estão diretamente sujeitos à nova tarifa de 25% proposta na investigação da Seção 301.

Para Sergio Vale, a medida pode encarecer produtos para o consumidor americano e reduzir a eficiência da economia dos Estados Unidos, apesar da intenção declarada do governo Trump de estimular a produção interna. “Nesse sentido, era esperado que houvesse um aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil”, avaliou.

O economista defende que, diante do cenário, empresas brasileiras busquem ampliar a diversificação de mercados.

*Com informações da Folha de São Paulo

Postado em 2 de junho de 2026