Superfungo: RN investiga caso suspeito de Candida auris em paciente

Hospital da Polícia Militar do Rio Grande do Norte — Foto: Stephany Souza/Inter TV Cabugi

Hospital da Polícia Militar do Rio Grande do Norte — Foto: Stephany Souza/Inter TV Cabugi

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte confirmou nesta quinta-feira (22) que investiga um caso suspeito do fungo Candida auris – conhedido como “superfungo” – em um paciente de 58 anos que está internado no Hospital da Polícia Militar em Natal. O homem foi isolado.

O fungo gera preocupação das autoridades de saúde por ser resistente aos medicamentos usados neste tipo de tratamento. Ele se instala principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido no ambiente hospitalar.

Segundo a Secretaria de Saúde do RN, a possível presença do fungo no paciente foi alertada pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) na última terça-feira (20).

A confirmação oficial depende de um teste sobre o genotipo do fungo que será realizado por um laboratório em São Paulo. A pasta não divulgou prazo para publicação do resultado.

Além da Secretaria de Saúde, o Hospital da PM informou que notificou o Ministério da Saúde sobre o caso.

Paciente está ‘colonizado’

Segundo o médico infectologista Eduardo Teodoro, que atua no Hospital da PM, o paciente não apresenta infecção causada pelo fungo, mas uma colonização.

“A infecção acontece quando o micro-organismo está causando doença no paciente. Já a colonização ocorre quando o fungo está presente na pele ou em algum local do corpo, mas sem provocar doença”, explicou.

“Quando há infecção, fazemos o tratamento antifúngico. Quando é colonização, a principal medida é a prevenção, para evitar a disseminação dentro do ambiente hospitalar. É exatamente o que está sendo feito”, afirmou.

De acordo com o médico, o paciente deu entrada na unidade no dia 16 de janeiro com quadro de insuficiência cardíaca. Durante a internação, foram coletadas amostras de rotina. No dia 20 de janeiro, por volta das 13h, o laboratório anunciou a suspeita.

A infecção pelo Candida auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal (Arquivo) — Foto: Reuters

A infecção pelo Candida auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal (Arquivo) — Foto: Reuters

Mesmo antes da confirmação, o hospital informou que adotou imediatamente todas as medidas de vigilância e prevenção recomendadas pela Anvisa, como isolamento de contato do paciente, reforço das orientações de higiene e comunicação à equipe de saúde.

Segundo o médico, o paciente apresenta evolução clínica favorável. “Ele está em curva de melhora. Vai permanecer internado por mais alguns dias para tratamento clínico, antibióticos e realização de exames laboratoriais e de imagem”, disse.

Fungo raro e resistente

A Candida auris é considerada um fungo emergente e raro no Brasil, com registros em poucos estados. Já houve casos registrados em estados como Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. A infecção pode ser fatal. Caso a suspeita seja confirmada, este será o primeiro registro no Rio Grande do Norte.

Apesar da suspeita, o secretário de Saúde do RIo Grande do Nortec, Alexandre Motta, afirmou que a população deve ficar tranquila. Apesar disso, ele disse que a maior preocupação das autoridades é evitar que o fungo chegue a outros pacientes.

“A preocupação em relação a esse fungo é que ele tem uma capacidade biológica de produzir uma coisa chamada biofilme, que é como se fosse uma película que faz com que os antifúngicos não consigam penetrar nele. E ele fica naquele ambiente onde ele está contaminante. Até os antifúngicos excepcionais têm pouquíssimo efeito”, explicou o secretário.

Por outro lado, ele afirmou que o superfungo tem baixa capacidade de infecção. Segundo o secretário, os profissionais que participam do tratamento do paciente estão usando equipamentos de proteção que são descartados após o uso para evitar contaminação de outras pessoas.

Superfungo no Brasil

O Candida auris foi identificado pela primeira vez em 2009, no ouvido de uma paciente internada no Japão.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada sobre o possível primeiro caso positivo de Candida auris no Brasil em dezembro de 2020, em um paciente internado na Bahia. O superfungo foi identificado após análises laboratoriais. Desde então, o país registrou diversos surtos.

Segundo alerta emitido pela Anvisa após a notificação do primeiro caso no Brasil, o Candida auris representa uma “séria ameaça à saúde pública” porque:

  • apresenta resistência a vários medicamentos antifúngicos comumente utilizados para tratar infecções por Candida. Algumas cepas de Candida auris são resistentes a todas as três principais classes de fármacos antifúngicos;
  • pode causar infecção em corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo ser fatal, principalmente em pacientes com comorbidades;
  • pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes;
  • é propenso a causar surtos devido à dificuldade de identificação por métodos laboratoriais rotineiros e de eliminação do ambiente contaminado.

De acordo com um alerta publicado em 2023 pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, pesquisas sugerem que os fatores de risco para Candida auris incluem internação em unidades de terapia intensiva, hospitalização prolongada ou em instituições de longa permanência, uso de cateter venoso central e outros dispositivos invasivos, tratamento prévio com antifúngicos, cirurgia recente, imunossupressão e diabetes.

*g1 RN

Postado em 22 de janeiro de 2026