Sobe para cinco o número de denúncias contra desembargador investigado por abuso sexual em MG

Magid Nauéf Láuar se tornou desembargador em 2025 | Foto: Juarez Rodrigues/TJMG

Subiu para cinco o número de possíveis vítimas que denunciaram o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por supostos casos de abuso sexual. Todos os relatos já foram colhidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conduz procedimento administrativo para apurar os fatos.

O caso ganhou repercussão após julgamento relatado por Magid Nauef Láuar na 9ª Câmara Criminal do TJMG, no qual ele votou pela absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, sob o entendimento de que haveria “vínculo afetivo consensual” entre o réu e a vítima. O voto foi acompanhado pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, formando maioria. A desembargadora Kárin Emmerich apresentou voto divergente.

Posteriormente, o magistrado reviu a posição, acolheu recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), restabeleceu a condenação de nove anos e quatro meses de prisão ao homem e decretou a prisão também da mãe da adolescente, denunciada por omissão. O suspeito foi preso em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, e a menina permanece sob a guarda legal do pai.

Após a repercussão do julgamento, vieram à tona denúncias de supostos abusos atribuídos ao desembargador. Inicialmente, eram quatro relatos formalizados. Com a atualização, o número subiu para cinco. De acordo com as informações divulgadas, uma das possíveis vítimas reside fora do país e prestou depoimento por videoconferência. Investigadores consideram os relatos consistentes no âmbito da apuração administrativa.

Entre as denúncias está a de Saulo Láuar, de 42 anos, primo do magistrado, que afirmou ter sido vítima de tentativa de abuso quando tinha 14 anos. O depoimento foi prestado ao CNJ na cidade de Teófilo Otoni, onde ele reside. Segundo o relato, após o episódio, teria recebido uma ligação do desembargador pedindo que não comentasse o ocorrido. O denunciante afirmou que decidiu formalizar a acusação após a divulgação do julgamento envolvendo o caso de estupro de vulnerável, que, segundo ele, reavivou lembranças do episódio na adolescência.

Em nota anterior, o TJMG informou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e declarou que o desembargador não irá se manifestar sobre as acusações neste momento.

*Tribuna do Norte

Postado em 27 de fevereiro de 2026