Polícia procura vítima de estupro que motivou linchamento em Natal

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte está a procura da suposta vítima do estupro que teria motivado o linchamento de um homem de 38 anos nesta quarta-feira (2) na Zona Oeste de Natal. De acordo com o delegado Roberto Andrade, da Delegacia Especializada em Homicídios (Dehom), até a tarde desta quinta-feira (3) a menina de 13 anos que teria sido violentada não foi encontrada. A família de Aldecir Bezerra da Silva, espancado até a morte, alega que o servente de pedreiro era inocente. 

Aldecir foi morto na noite desta quarta. A população usou pedras, pedaços de madeira e até um fogão no linchamento. O crime ocorreu por volta das 19h30, na Travessa Alicante. Segundo informações preliminares colhidas pela Polícia Militar, o homem teria sido apontado como autor do estupro de uma menina de 13 anos. 

 De acordo com Andrade, a informação preliminar da PM é a mesma que foi repassada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública do Estado (Ciosp) à Polícia Civil. No entanto, nenhuma vítima de estupro foi encontrada até a tarde desta quinta. “É importante que, caso tenha acontecido o estupro, a vítima seja identificada e se apresente à polícia para que este fato possa ser levado em consideração durante as investigações”, disse o delegado.
A polícia realizou buscas no local do crime e ouviu testemunhas, inclusive a mulher da vítima, mas não identificou nenhum dos agressores. 

De acordo com o delegado, o nome da vítima de Aldecir Bezerra da Silva não consta em nenhum processo criminal. “A esposa não conseguiu identificar nenhum dos agressores. Ainda estamos procurando testemunhas que tenham presenciado o crime para apontar os responsáveis pelo linchamento”, afirmou.
“As pessoas têm desejo de fazer justiça, mas acabam fazendo papel de polícia, juiz e executor ao mesmo tempo. Se nem o Estado aprova a pena de morte, não é a população que pode aplicá-la. Nós condenamos qualquer tipo de tentativa de se fazer justiça com as próprias mãos e vamos investigar este linchamento”, concluiu o delegado. 

Fonte: G1/RN
Postado em 4 de setembro de 2015