OPINIÃO: Quem vive de passado é museu: a hipocrisia de quem nega o presente e implora pelo voto

O egocentrismo político sabota o desenvolvimento dos municípios quando parlamentares e lideranças derrotadas fecham as portas para a própria base. A prática de “cruzar os braços” e reter ou não articular emendas orçamentárias e recursos estaduais e federais para o município — apenas para evitar que o atual gestor da cidade colha os louros das obras — expõe uma face cruel da velha política. Quando o asfalto não chega, o hospital fica sem equipamentos ou a escola deixa de ser reformada, não é o prefeito sucessor quem perde; é o cidadão comum.

Nas eleições, esse cenário gera um verdadeiro malabarismo retórico. Com quais argumentos esses mesmos políticos, que boicotaram o progresso local por puro rancor partidário, pretendem subir no palanque para pedir votos para seus candidatos?


A retórica do retrocesso e a falta de propostas

Políticos que abandonam o município durante o mandato costumam recorrer a discursos previsíveis e vazios quando as urnas se aproximam:

  • Discurso da nostalgia: Focam exclusivamente em obras e feitos de mandatos passados, ignorando que as necessidades da população mudaram.
  • Terceirização da culpa: Justificam a falta de novos recursos e emendas acusando a burocracia ou culpando a atual administração pela própria inércia.
  • Promessas recicladas: Reempacotam velhas propostas que nunca saíram do papel em vez de apresentar soluções viáveis para o presente.

O custo do boicote para a população

A decisão de congelar a atuação parlamentar por vaidade política impacta diretamente os serviços públicos mais essenciais:

Setor AfetadoO impacto do “braço cruzado” na prática
Saúde PúblicaUnidades Básicas de Saúde (UBS) ficam desabastecidas por falta de custeio e novos equipamentos.
InfraestruturaRuas deixam de receber pavimentação e obras de saneamento básico são paralisadas por falta de repasses.
EducaçãoCreches e escolas perdem a oportunidade de ampliação de vagas e modernização tecnológica.

O eleitor cansado de saudades

Depender de conquistas de anos anteriores para justificar a ausência de trabalho recente é subestimar a inteligência do eleitorado. Lembranças não geram empregos, não tapam buracos nas ruas e não resolvem a fila dos postos de saúde.

O mandato de um político é uma concessão pública que exige trabalho contínuo, independentemente de quem esteja sentado na cadeira do poder executivo municipal. Político que “fede a mofo” e escolhe o isolamento para punir adversários acaba punindo quem o elegeu. Afinal, as contas e as necessidades do município chegam todos os dias, e, como diz o ditado popular, quem vive de passado é museu. O eleitor do presente exige compromisso, entregas e respeito real.

Postado em 16 de junho de 2026