O paradoxo do poder: Prefeituras ignoram a imprensa local, asfixiam a economia e financiam vozes de fora

Em muitos municípios brasileiros, a imprensa local enfrenta um paradoxo cruel: é indispensável no dia a dia, mas tratada como invisível na hora da partilha de recursos públicos. Enquanto gestores ignoram os profissionais da cidade que cobrem os principais fatos cotidianos, destravam-se cofres para irrigar os cofres de veículos de fora.
Essa prática revela uma das maiores fraquezas dos gestores municipais: a fuga do diálogo comunitário e a desvalorização do próprio município. Profissionais da casa, que conhecem a fundo as demandas locais e as dores da população, são covardemente esquecidas. Curiosamente, essas mesmas vozes ignoradas são essenciais e cortejadas como linha de frente nos períodos de eleição.
Ao privilegiar meios de comunicação de outras regiões, o administrador público comete um erro de gestão e de visão social. Ele impede que o dinheiro público circule dentro do próprio município, drenando recursos que poderiam fortalecer empresas locais, gerar empregos e fomentar o desenvolvimento do comércio e das mídias regionais.
Ignorar a imprensa da própria terra não é apenas uma falha com a classe trabalhadora da comunicação; é virar as costas para a transparência e para o desenvolvimento endógeno. Dinheiro público deve servir, prioritariamente, para engrandecer a comunidade que o gera, mantendo a riqueza e a informação circulando no seio da cidade.


