CNJ encontra no Ceará preso que deveria estar solto há 24 anos

Um mutirão carcerário promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
descobriu que um idoso de aproximadamente 80 anos está preso
irregularmente em Fortaleza, no Ceará. O homem, que não teve o nome nem o
motivo da detenção revelados, deveria ter sido solto em 1989. Isto
significa que ele cumpriu pena injustamente durante 24 anos.


De acordo com o CNJ, o idoso foi encontrado em uma unidade psiquiátrica
destinada para criminosos, o Instituto Psiquiátrico Governardor Stenio
Gomes (IPGSG), administrado pelo governo estadual. De acordo com o juiz
Paulo Augusto Irion, este deve ser o preso mais antigo do país, mas pelo
menos cinco outros passam por situação semelhante. Ele foi preso na
década de 1960 e recebeu alvará de soltura em 1989, quando sua pena foi
extinta pela Justiça.



“Acho que este ser humano, em uma cadeira de rodas, usando fraldas, deve
ser o preso mais antigo do Brasil, pois a informação é de que ingressou
no sistema prisional na década de 60 do século passado”, disse o juiz.


Paulo Augusto Irion afirmou que já se deparou com seis pessoas
internadas mesmo após terem as penas extintas. Segundo ele, na maioria
das vezes este tipo de situação é motivado por abandono familiar ou pela
ausência de uma instituição hospitalar própria para abrigá-los.


“Essas pessoas não mais poderiam permanecer no local, entre as que estão
internadas em decorrência da intervenção do Direito Penal. A situação
dessas pessoas é meramente de saúde, não mais de Direito Penal”.


Ao final do mutirão, que vai até o dia 6 de setembro, a equipe do CNJ
fará recomendações às autoridades locais visando melhorias no sistema
carcerário.

Fonte: SRZD
Postado em 31 de agosto de 2013