Análises detectam bactérias na água de duas escolas estaduais em Mossoró

Foto: Reprodução/Google Maps/Everton Rodrigues

A água utilizada para consumo em duas escolas estaduais da zona rural de Mossoró apresentou contaminação por bactérias após análises realizadas em amostras coletadas em julho. Os problemas, divulgados nesta terça-feira (22), foram identificados nas escolas Gilberto Rola, na comunidade Maísa, e Professora Iracema Fernandes, no Sítio Pau Branco. Em uma das unidades, os exames também apontaram concentração de minerais dissolvidos superior ao limite permitido.

Diante dos resultados, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou a suspensão imediata do uso da água para consumo nas duas unidades. A orientação prevê que, enquanto o abastecimento não for considerado adequado, seja fornecida água potável mineral envasada ou proveniente de caminhão-pipa com qualidade previamente testada.

Segundo o MPRN, análises realizadas pela Vigilância Ambiental de Mossoró identificaram a presença de bactérias em amostras coletadas nos bebedouros e torneiras da Escola Estadual Gilberto Rola. Na Escola Estadual Professora Iracema Fernandes, os testes também detectaram bactérias, além de quantidade de minerais dissolvidos mais de três vezes acima do limite permitido pela legislação.

A recomendação estabelece que o abastecimento temporário com água potável seja suficiente para atender ao consumo da comunidade escolar, à preparação da merenda e às necessidades de higiene.

Limpeza

A fiscalização também verificou que a limpeza das caixas d’água é realizada pelas próprias escolas. Conforme o órgão ministerial, a diretoria regional de Educação informou não possuir documentos que comprovem a higienização dos reservatórios e não realizar testes de qualidade da água.

Entre as providências determinadas na recomendação estão a limpeza e desinfecção dos reservatórios e a troca dos filtros dos bebedouros das duas escolas, que deverão ser realizadas em até 10 dias úteis.

No prazo de 30 dias, as unidades também deverão estabelecer um plano permanente de manutenção, com limpeza das caixas d’água a cada seis meses e controle da qualidade da água. A Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância Ambiental de Mossoró foram orientadas a realizar novas coletas nas duas escolas em até 10 dias úteis, com encaminhamento das amostras para análise laboratorial.

Os órgãos destinatários da recomendação têm cinco dias úteis para informar ao MPRN se irão cumprir as medidas. Segundo o Ministério Público, o descumprimento poderá resultar na adoção de medidas judiciais para responsabilização dos gestores.

SEEC diz que adotará providências

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC-RN) informou que não havia sido comunicada pelas escolas nem pelo MPRN sobre os resultados das análises. Segundo a pasta, a recomendação foi recebida somente nesta terça-feira (22), embora as amostras tenham sido coletadas em julho.

A Secretaria afirmou que dispõe de recursos para a compra de água potável quando as unidades escolares comunicam problemas dessa natureza e informou que adotará as providências previstas na recomendação dentro dos prazos estabelecidos, incluindo o fornecimento de água própria para consumo e as adequações necessárias nas escolas.

A SEEC também questionou o intervalo entre a coleta e a comunicação dos resultados. “Causa estranheza à Secretaria que as amostras tenham sido recolhidas pela Vigilância Sanitária do município de Mossoró no mês de julho e que somente agora, em setembro, os resultados das análises tenham sido encaminhados à SEEC”, afirmou.

A pasta ainda declarou que outras instituições de ensino localizadas nas mesmas comunidades utilizariam a mesma fonte de abastecimento. Segundo a Secretaria, “também causa estranheza” que, conforme as informações presentes no processo, apenas as escolas da rede estadual tenham sido submetidas às análises.

*Tribuna do Norte

Postado em 22 de setembro de 2026