O Comunicador

Estudo sobre cloroquina com 96 mil pacientes que motivou a OMS a suspender testes vai passar por auditoria


Foto: Shutterstock

A revista científica “The Lancet” publicou, nesta terça-feira (2), uma nota na qual manifesta “preocupação” com o estudo sobre cloroquina e hidroxicloroquina que foi publicado na própria revista no dia 22 de maio. O estudo, feito com 96 mil pacientes de Covid-19, motivou a OMS a suspender os testes com as substâncias em ensaios clínicos internacionais.

No texto, a revista afirma que “importantes questões científicas foram levantadas sobre os dados relatados” no estudo.

Na pesquisa, os autores haviam concluído que o uso dos dois remédios, normalmente usados para tratar malária ou doenças autoimunes, não trazia benefícios contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Eles também constataram que o uso desses medicamentos trazia um risco de arritmia cardíaca.

A “The Lancet” informou que uma auditoria independente dos dados do estudo está ocorrendo, e os resultados são esperados “muito em breve”.

Veja a íntegra da nota da ‘The Lancet’:

“Manifestação de preocupação: Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem um macrólido para tratamento de COVID-19: uma análise de registro multinacional

Importantes questões científicas foram levantadas sobre dados relatados no artigo de Mandeep Mehra et al. — Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem um macrolídeo para tratamento de COVID-19: uma análise de registro multinacional — publicado na The Lancet em 22 de maio de 2020. Embora uma auditoria independente da proveniência e da validade dos dados tenha sido encomendada pelos autores não afiliados ao Surgisphere e esteja em andamento, com os resultados esperados muito em breve, estamos emitindo uma manifestação de preocupação para alertar os leitores para o fato de que sérias questões científicas foram trazidas à nosso atenção. Atualizaremos este aviso assim que tivermos outras informações.

Os editores”

A pesquisa

O estudo publicado na “The Lancet” analisou se a cloroquina ou a hidroxicloroquina tinham algum benefício no tratamento de Covid-19 — acompanhadas ou não de macrolídeos (classe de antibióticos da qual a azitromicina faz parte).

Para isso, os pesquisadores analisaram bancos de dados de 671 hospitais em seis continentes. Eles incluíram 96.032 pacientes hospitalizados com Covid-19 entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril deste ano.

Depois da publicação do estudo, a OMS decidiu suspender os ensaios clínicos internacionais (ensaios “Solidariedade” que envolviam a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19.

*G1

Postado em 2 de junho de 2020 - 21:08h

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