O Comunicador

Estudo mostra o que o RN perde e outros lucram com o mercado da carne


Só o Pará vende mais de 53% da carne consumida todos os anos no Rio Grande do Norte, com um faturamento de R$ 360 milhões

Só o Pará vende mais de 53% da carne consumida todos os anos no Rio Grande do Norte, com um faturamento de R$ 360 milhões.

O Tocantins, o segundo lugar nesse consumo doméstico, responde por 18%, faturando mais de R$ 113 milhões.

Só de arrecadação de ICMS sobre essas vendas, estes estados embolsam por ano R$ 48 milhões, injetados nas economias locais.

Os dados estão num estudo feito a três mãos pela Associação Norte-rio-grandense dos Criadores do RN (Anorc), Federação da Agricultura do RN (Faern) e Sebrae RN.

Eles agora servem de base para reavivar um proposta antiga dos produtores de revitalização da cadeia produtiva da carne do estado com forma de tirar a da informalidade grande parte dos pequenos e médios produtores locais.

Para o presidente da Federação da Agricultura do RN, José Vieira, só revitalizando uma rede de frigoríficos no estado será possível devolver aos pequenos e médios criadores potiguares a oportunidade de participar desse mercado.

“Hoje, infelizmente, só quem é de fora e três atravessadores no estado lucram, estes, inclusive, sendo premiados com 75% de isenção de ICMS”, lembra Vieira.

Segundo o estudo das entidades, com uma população de 3,4 milhões de habitantes, o RN consome por ano 85 milhões de quilos de carne, o que rende para quem vende uma receita por volta de R$ 915 milhões anualmente – 75% disso vai para os estados vendedores.

“Não queremos e nem podemos abarcar toda essa demanda, mas o que pedimos é uma fatia para os produtores locais poderem sair da informalidade, crescer, investir em seus negócios e distribuir o resultado de seu trabalho na cadeia produtiva”, resume o presidente da Faern.

Hoje, de acordo com o estudo ao qual o Agora RN teve acesso, essa cadeia produtiva pode movimentar R$ 50 milhões/ano em setores como energia, fertilizantes, manutenção e matéria-prima para benfeitorias.

Uma grande indústria potencial

A indústria ligada à carne têm condições de faturar R$ 100 milhões/ano no RN, enquanto a venda de subprodutos do boi outros R$ 20 milhões/ano e o varejo mais R$ 140 milhões/ ano.

Em suas considerações finais, o estudo da Anorc/ Farne e Sebrae conclui que as saídas para os antigos problemas vividos pelo RN, pela ausência de uma cadeia produtiva própria da carne, reduz drasticamente o emprego e a renda no campo.

Vieira destaca que a iniciativa da prefeitura de Ceará-Mirim ao obter recursos privados de um grupo da Bahia para a exploração de um frigorífico indica uma primeira saída a ser seguida.

“A segunda saída, que está nas mãos do governo estadual, é uma alteração urgente no Proadi da carne que possibilite um incentivo justo para quem produz”, afirma.

Hoje, os produtores informais respondem pelo abate de 100 mil animais por ano, 25% da demanda, que no mercado valem por volta de R$ 225 milhões/ano.

*Agora RN

Postado em 16 de abril de 2019 - 7:25h

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