O Comunicador

Ovo de jegue

Meu conterrâneo Assis Lopes, sempre muito criativo,manda me dizer que
acaba de descobrir um remédio para levantar decaídos melhor do que o
Viagra. Segundo ele, aquele comprimido vendido a mais de 100 reais, que
um desportista vindo do Paraguai deu de presente Joaquim de Margarida
quando ele completou 70 anos, pouca valia terá diante de sua descoberta.
E qual é a descoberta, minha gente? Simplesmente, um combinado de ovo
de jumento com ovos de codorna, que recebeu o pomposo nome de omelete,
mas que meu amigo Assis prefere batizar de tesão por todos os buracos,
já que quem come o instrumento fica disposto a enfrentar qualquer
guerra, mesmo a mais inglória.
Confesso que fico meio cabreiro quando me falam dessas inovações
sexuais. Sou do tempo em que o homem, para enfrentar uma xoxota,
dependia apenas da sua fome. Essa estória de tomar estimulantes, tipo
ovo de codorna, amendoim, catuaba, conhaque de alcatrão de São João da
Barra, Viagra, omelete de ovo de jumento com ovo de codorna e dedada no
cu, me convence mas não me estimula a fazer uso. Tudo porque me lembro
de Seu Lima.
Seu Lima, na década de 60, dono de uma ferramenta bastante comprida e
grossa, começou a ficar preocupado com falta de dureza da dita cuja. E,
ao ser convencido por um amigo de que havia um comprimido no Recife que
resolveria seu problema, esteve na Capital pernambucana, encontrou o
remédio e, em vez de um comprimido, comprou e tomou a caixa toda. O pau
endureceu durante oito dias e já estava ficando roxo, necrosado, prestes
a cair despedaçado no chão – coisa que não aconteceu porque apareceu um
médico chamado Jacinto Medeiros que o curou com uma dedada no rabo –
quando seu Lima decidiu renunciar a sua vida de tarado para se tornar
sacristão da Igreja de Cruz das Armas. Mas seu exemplo jamais foi
esquecido.
A minha vontade, claro, não é a vontade do leitor. Por isso, fique a
cavalheiro o meu caríssimo que lê as mal traçadas linhas que ofereço
neste espaço, para testar o remédio do conterrâneo Assis. Só recomendo
que arranque dos jegues os seus queridos ovos e os deixem vivos, para
carregar as cargas de suas infelicidades pelo resto dos seus dias.
Infelicidades, principalmente, por não poderem mais montar nas
jumentinhas e faze-las mastigar enquanto recebem os agrados dos seus
machos, dizendo, em pensamento, aquela frase jumental: “Se passar da
boca, eu toro!”.
De Tião Lucena
Postado em 5 de abril de 2013 - 14:45h

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