17 de dezembro de 2018

Falta de óleo de cannabis proibido pela Justiça agrava saúde de potiguares

O aposentado José Mário dos Santos, de 47 anos, chega a sofrer 30 crises de convulsão por dia. Essa situação teve início há duas semanas e é uma consequência da falta do Extrato de Cannabis. O medicamento era adquirido junto à Associação Reconstruir que está impedida pela Justiça de produzir a droga. 

Nós produzimos o óleo há um ano e meio, e queríamos fazer isso de forma legal. Mas a Justiça já deu duas liminares negando. Então, as plantas foram mortas, a fabricação parou e teve paciente que voltou à UTI”, relatou Felipe Farias, da Associação Reconstruir. 

O extrato produzido pela associação custa 200 reais, bem mais barato do que os medicamentos cuja comercialização é permitida. “O Mevatyl chega ao absurdo de 2.800 reais”, ressaltou Farias. Ele ainda disse que essas drogas, mesmo que também sejam à base da maconha, não têm todas as substâncias contidas no óleo que era produzido no Rio Grande do Norte.  

A Associação Reconstruir tem, de acordo com Felipe Farias, 88 pacientes no papel. “Alguns deles recebiam o óleo gratuitamente, pois não têm condições de pagar”, citou.  

Tendo que tomar sete tipos de medicamento por dia, o senhor José Mário dos Santos é um dos que não pode pagar pelo preço das drogas permitidas de serem vendidas. “É uma situação bem difícil. Ele vivia num quadro de depressão. Com o óleo, o humor dele, o sono e o apetite melhoraram. Agora, precisamos ir ao pronto-socorro direto”, contou a esposa do aposentado, a assistente social Maria Eunice dos Santos, 41 anos.  

O processo que impediu a produção do Extrato de Cannabis pela Associação Reconstruir tramita em segredo de justiça no Tribunal Regional Federal da 5ª Região.  

A expectativa de quem sofre com a falta da droga no tratamento de saúde é que 2019 comece com a retomada da produção. “A gente espera que essa situação se normalize. Vejo essa proibição como que preconceituosa. Está aí o álcool que mata mais que outras drogas, mas é liberado. Temo pela saúde de meu marido”, desabafou Maria Eunice. 

 *Por Ayrton Freire

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