18 de janeiro de 2017

Enxaqueca sem tratamento aumenta risco de depressão e até AVC. Saiba como tratar a doença

Por Vanessa Sulina – Fala Saúde – R7
Lá no começo de dezembro escrevi um post contando para você o quanto eu sofro (agora menos e já já vocês entenderão melhor) de enxaqueca. Relatei as minhas dores insuportáveis de cabeça — que por vezes vêm acompanhadas de náuseas, vômitos, fobia a luz etc. Estava bem cansada e desanimada de passar por ter passado por tantos médicos desde a adolescência, sem nenhum tratamento efetivo. Mas estava sofrendo tanto que havia prometido a mim mesma que após meu casamento (que aconteceu no fim de setembro) eu investiria em um BOM especialista na área para melhorar de vez da enxaqueca (ou pelo menos tentar). 

Foi então que descobri a neurologista Thais Villa, chefe do setor de cefaleia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretora clínica da Headache Center Brasil. Marquei a consulta no início de dezembro. Foram quase duas horas dentro do consultório. Relatei todo meu histórico (pai e mãe com mesma doença), dores desde adolescência..etc etc. RESULTADO: diagnóstico: enxaqueca crônica: ou seja, Vanessa (eu mesma) sofro de mais de 15 dias de dores de cabeça no mês (eu fiquei muito chocada com essa informação). 

Mas então como resolver? Hoje em dia, o tratamento da enxaqueca deve se basear em prevenir as crises, ou seja, evitar que elas aconteçam, me explicou a neurologista. — Nesse contexto os chamados medicamentos preventivos são os mais estudados, e há mais tempo utilizados, e podem ser eficazes em evitar as crises. Nos últimos cinco anos, a toxina botulínica aparece como uma opção importante para prevenção da enxaqueca crônica. 

Terapias não medicamentosas como a neuroestimulação ajudam também, como a terapia psicológica, acompanhamento nutricional, fisioterapia, exercícios físicos orientados. Então, novos estudos na área mostram que o tratamento preventivo combinando terapias medicamentosas e não medicamentosas pode ser mais eficaz na prevenção das crises de enxaqueca.


No meu caso, a médica me prescreveu o uso do medicamento preventivo, a toxina botulínica, além da neuroestimulação (aparelho que gera pequenos impulsos elétricos e ajuda no tratamento e combate a dor). Infelizmente, por uma questão financeira, ainda não pude aplicar o botox. Mas quero fazer assim que possível. Até porque os planos não cobrem, mas podemos tentar o reembolso para o plano de saúde.
Thais explica que as medicações preventivas são usadas “em pessoas que têm enxaqueca com frequência semanal ou maior, ou crises muito incapacitantes que não respondem ao tratamento somente da dor, que é feito com analgésicos”.
— O tratamento deve ser feito por no mínimo seis meses, mas sua duração deve ser individualizada. Espera-se com medicações preventivas uma melhora de 50% da frequência e intensidade das crises após  dois ou três meses de uso continuo, ou seja, tomado diariamente.
Como já expliquei pra vocês, a minha enxaqueca é crônica. Mas há quem tenha a episódica. Essas podem ser tratada com mudanças de estilo de vida, ou seja, evitando “situações desencadeantes e terapias não medicamentosas citadas acima, e se mais frequente que uma vez por semana e crises muito intensas, a medicação preventiva deve ser escolhida pelo neurologista de acordo com cada paciente”.

Botox para enxaqueca?!
Para mim foi novidade a utilização da toxina botulínica para tratamento da enxaqueca. Segundo a neurologista, o “tratamento é eficaz e especifico para enxaqueca crônica, principalmente aquelas onde vários tratamentos com medicamentos foram tentados com pouca ou nenhuma resposta, e onde existem pela dor de cabeça quase diária ou todos os dias uso excessivo de analgésicos, que gera a chamada dor rebote, e uma piora ainda maior da enxaqueca”.
— Na enxaqueca crônica a frequência alta de dor de cabeça mantem um processo de inflamação continuo, e essa inflamação crônica também gera mais dor, um ciclo vicioso que precisa ser quebrado. A toxina botulínica vai agir bloqueando essas substâncias inflamatórias e evitando nova inflamação e novas dores de cabeça, um tratamento preventivo especifico e eficaz para descronificação da enxaqueca.

Melhorei quase 50% em 1 mês, viu!
Já retornei ao consultório e constatamos que em 30 dias eu melhorei 40% da minha enxaqueca. O remédio fez muito efeito e certamente o uso do Cefaly, o aparelho de neuroestimulação que estou utilizando 20 minutos por dia, também está ajudando no processo. Mas como eu cheguei a essa conclusão da melhora? Fazendo o diário da enxaqueca: todos os dias que sinto dor, eu anoto a data, o horário do início da dor, o que eu comi na refeição anterior e se tomei ou não remédio. Assim, a médica consegue ter o controle. Aliás, se você sofre dessa doença, comece a adotar esse hábito agora mesmo!

Psicólogo faz parte do  tratamento
O gatilho número 1 da enxaqueca para a maioria das pessoas e o estresse emocional e ansiedade, explica Thais. Além disso, é comum a associação de sintomas de ansiedade e mesmo depressão em pessoas com enxaqueca. Por isso, é importantíssimo que o paciente que sofra com essa doença busque ajuda de um pscicólogo.
— A psicologia faz uso de várias técnicas para auxiliar na prevenção da enxaqueca como terapia cognitiva comportamental para saber lidar com esses gatilhos de ansiedade e depressão, e técnicas de relaxamento como biofeedback, para melhor prevenção da dor de cabeça. Esse tratamento e especialmente eficaz em pessoas com enxaqueca crônica.

Rémedio, botox, nutricionista… enxaqueca exige uma equipe multidisciplinar
Os gatilhos da doença, conforme expliquei no meu outro texto, são vários. E o tratamento da enxaqueca e dores de cabeça combinando terapia medicamentosa e não medicamentosa pode ser mais eficaz na prevenção e controle da doença, segundo explicou a médica.
— Morei nos EUA por um ano fazendo pesquisas na área de dor de cabeça e enxaqueca. E lá conheci esse conceito dos “Headache Centers”, clinicas voltadas especificamente para o tratamento das dores de cabeça que ofereciam tratamento médico e multidisciplinar para seus pacientes. 

Eu planejei trazer esse modelo de tratamento para o Brasil e em 2016 inauguramos o primeiro centro de tratamento multidisciplinar e integrado da dor de cabeça do pais. O tratamento da enxaqueca deve ser individualizado, a doença tem muitos aspectos genéticos e também ambientais que precisam ser abordados e são diferentes de pessoa para pessoa. Na nossa clinica procuramos oferecer um plano de tratamento para cada pessoa com dor de cabeça, levando em conta seu diagnóstico, histórico, gravidade, experiências anteriores, seus desejos e necessidades. Essa parceria garante um tratamento com muito mais chance de sucesso.

Porque enxaqueca não tratada…
Quando não tratada corretamente,  a enxaqueca pode levar a “cronificação da doença, ou seja as crises ficam mais frequentes e intensas, levar ao uso excessivo de analgésicos, que além de não tratar a doença, aumenta riscos de transtornos de ansiedade, depressão, distúrbios de sono, dificuldades de atenção e memória e, em casos da chamada enxaqueca com aura, aumenta riscos de AVC e infarto cardíaco. Isso sem contar a queda de produtividade, os dias de trabalho e lazer perdidos e a piora marcante e progressiva da qualidade de vida”.


Do R7

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